'Blitz' no ar: entenda como funciona a interceptação de aeronaves feitas pela Força Aérea no Amazonas; VÍDEO

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
'Blitz' no ar: entenda como funcionam as interceptações de aeronaves feitas pela Força Aér Assim como veículos podem ser parados em uma blitz nas ruas, aeronaves também podem ser fiscalizadas durante um voo, a chamada interceptação. Esse procedimento está previsto nas normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão da Aeronáutica Brasileira, e segue regras específicas para garantir a segurança do espaço aéreo brasileiro. Na última quinta-feira (7), o g1 acompanhou uma simulação de interceptação aérea durante o voo da comitiva do Comando Conjunto Harpia, entre Manaus e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Um caça Embraer A-29 Super Tucano realiza uma interceptação de simulação e se aproxima da aeronave que transportava oficiais das três Forças Armadas. ➡️O Comando Conjunto Harpia faz parte de uma operação coordenada pelo Ministério da Defesa e desde 6 de abril. Militares da Marinha, Exército e Força Aérea atuam em regiões de difícil acesso para combater crimes transfronteiriços, como tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e crimes ambientais. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Nas imagens registras pelo g1, o caça "Tucano" aparece se aproximando do avião da comitiva. Os pilotos se comunicaram por rádio para mostrar como começa o procedimento em uma operação real. Procedimentos ✈️ De acordo com o manual do Decea e informações do site da FAB, a interceptação segue etapas rigorosas. Primeiro, uma aeronave suspeita ou não identificada é detectada dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA). Em seguida, órgãos de controle aéreo — civis ou militares — tentam contato para identificar a aeronave e entender suas intenções. Se não houver resposta, ou se os dados forem insuficientes, caças são acionados para identificar visualmente a aeronave. De acordo com o Decea, a interceptação é uma medida excepcional, usada apenas quando outros meios de comunicação não funcionam, devendo ser evitada sempre que possível. Ainda assim, o Comando da Aeronáutica se reserva o direito de interceptar qualquer aeronave, a critério dos órgãos de defesa aérea ou das autoridades responsáveis pela execução das missões de defesa aérea. Na interceptação, a aeronave militar se aproxima da aeronave civil para estabelecer contato, identificar a situação e transmitir instruções. Isso não significa que houve crime, mas que o avião precisa seguir as ordens das autoridades aéreas. Se não houver cooperação, o processo pode avançar. Um dos últimos recursos antes da detenção em voo é o “tiro de aviso”. De acordo com a FAB, trata-se de uma medida dissuasiva, empregada quando a aeronave não responde às tentativas de comunicação e mantém comportamento suspeito. O disparo serve para reforçar que as ordens devem ser cumpridas. Todo o processo é gravado e auditado para garantir transparência e conformidade com a legislação. O que acontece quando um avião é interceptado Simulação de interceptação durante visita de militares no interior do Amazonas Lucas Macedo/g1 Amazonas Quando uma aeronave é interceptada, a tripulação deve agir de forma imediata e coordenada. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) determina que o piloto siga, sem demora, as instruções transmitidas pela aeronave interceptadora, seja por rádio ou por sinais visuais. Em caso de interceptação, a tripulação deve agir mediata e coordenada. O Decea determina que o piloto siga as instruções da aeronave interceptadora, transmitidas por rádio ou sinais visuais. Além disso, a tripulação deve tentar estabelecer comunicação por rádio com a aeronave interceptadora ou com o órgão de controle de interceptação apropriado, fazendo uma chamada, dando a identificação e o tipo de voo. Se o avião tiver transponder, equipamento que transmite informações de identificação aos radares, o piloto deve selecionar o código apropriado conforme a situação, como o 7700, usado em emergências gerais. Essas ações permitem que o controle do espaço aéreo identifique corretamente a aeronave e acompanhe o desenrolar da interceptação, reduzindo riscos e evitando falhas de comunicação. Segundo a FAB, o objetivo da interceptação é confirmar a identidade da aeronave em voo. A Força Aérea precisa verificar se o avião que está sendo reportado realmente corresponde à matrícula informada pelo piloto. Há casos em que uma aeronave pode apresentar problemas de documentação ou até tentar se passar por outra, e por isso esse controle é feito de forma rigorosa. As interceptações podem ocorrer de maneira discreta: uma aeronave da FAB se aproxima, confere matrícula e tipo do avião, transmite as informações ao controle e, se tudo estiver correto, se afasta sem que o comandante perceba. Caso haja alguma irregularidade, inicia-se um procedimento mais detalhado de verificação. Esse processo é considerado sério e existe um departamento específico da Força Aérea dedicado exclusivamente a essa função. Comunicação também pode ser feita por sinais visuais Piloto da FAB durante trabalho de interceptação de aeronaves CECOMSAER/Arquivo O Decea também estabelece sinais visuais padronizados, alinhados às normas internacionais da aviação civil, que podem ser usados durante a interceptação. Esses sinais incluem manobras específicas da aeronave interceptadora, como movimentos das asas, além do uso de luzes. Cada sinal tem um significado definido, como a ordem para seguir a aeronave interceptadora, alterar rota ou realizar um pouso. A tripulação interceptada deve reconhecer esses sinais e responder conforme determinado nas normas. O manual também prevê sinais de resposta da aeronave interceptada, indicando que as instruções foram compreendidas e estão sendo cumpridas. LEIA TAMBÉM: Entenda como a FAB intercepta aviões suspeitos de tráfico de drogas FAB intercepta avião sem plano de voo vindo da Venezuela na Terra Yanomami Dissidentes das Farc e facções brasileiras aliam-se por controle de crimes na Amazônia, diz coronel do exército colombiano Mais de 15 toneladas de drogas são apreendidas em operação militar na fronteira do Amazonas com o Peru Integração entre sistemas civis e militares Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a integração entre os sistemas civis e militares é essencial para a eficácia das interceptações. Em muitos casos, o primeiro alerta de uma possível irregularidade parte de controladores de tráfego aéreo civil, que acionam os Centros de Operações Militares (COPM), instalados nos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). Esse sistema integrado permite uma resposta rápida e coordenada, reduzindo o tempo de reação e aumentando as chances de uma interceptação bem-sucedida. O planejamento e a execução dessas ações são de responsabilidade do Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), órgão da Aeronáutica responsável por conduzir as ações de controle aeroespacial, incluindo a identificação, coerção ou detenção de tráfegos que voam no território nacional.

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/05/10/blitz-no-ar-entenda-como-funciona-a-interceptacao-de-aeronaves-feitas-pela-forca-aerea-no-amazonas-video.ghtml


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